5 de outubro de 2013

Igreja, Estado e vida privada

Como liberal, amo a liberdade de expressão. A seguir Voltaire, posso não concordar com nenhuma das palavras proferidas, mas defenderei até a morte o direito de seu autor em dizê-las.
No entanto, se tem um raciocínio político que eu não compreendo é o que discorda da união civil homossexual. Primeiro porque só concebo o Estado como laico, segundo porque não compreendo o ânimo de quaisquer discursos que ataquem o íntimo – amoroso e sexual? – dos indivíduos.
É legítimo, o discurso conservador. É legítimo e democrático, o discurso filosófico e religioso contra a homossexualidade.
O que é estranho e ilegítimo, é a automática disposição em negar direitos as pessoas, trazendo argumentos notoriamente religiosos, trancando – através de artimanhas políticas – a pauta de interesse no Congresso Nacional.
Nesse momento, o que é conservador, torna-se retrógrado. O que efervesce o debate intelectual, avança e corrói a democracia.
O caso não é de evangélicos e católicos votando a favor da homossexualidade (ou homossexualismo, também sou contra patrulhas), e sim a favor da cessão de direitos civis a um determinado segmento da população.
Recordo que foi em um Congresso de maioria racista, que Abraham Lincoln aprovou e concedeu igualdade jurídica aos negros no século 19. Doutrinariamente, o que falou mais alto não foi o gosto e crença pessoal dos deputados e senadores americanos, e sim a óbvia necessidade republicana de conceder direitos civis a quem não os possuía.
Eem situações como estas, enxergamos a necessidade de debater a política, a história e o Estado de Direito nas salas de aula. Não é para combater as opiniões religiosas, mas para separarmos filosoficamente o Estado e suas funções, a religião e as suas funções.
Termino com uma frase do grande pensador liberal John Stuart Mill, que sintetiza minha posição diante do assunto: “sobre si mesmo, sobre seu próprio corpo e mente, o indivíduo é soberano”.
Rodrigo Rara é um jovem baiano, idealista e defensor do Liberalismo Econômico e Social
Publicado inicialmente no Blog do Rogério Neiva

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