10 de dezembro de 2013

Limites da luta política. De boas intenções, não só as manifestações estão cheias.

Inúmeras vezes, compreendi a reação - as vezes violenta - de parte dos militantes à repressão desmesurada, ilegal e antidemocrática do Governo. Como estudante (e) militante de escolas públicas sofri diversas vezes, na pele, as agressões destemperadas do Governo, quando pressionado ou provocado a trabalhar pelos interesses daqueles que o financiam.


Vimos esta cena, com nitidez, nas manifestações de Junho quando uma enorme massa de jovens e adultos imbuídos de esperança e fé no Brasil, foram violentamente reprimidos por uma polícia despreparada a serviço de um Estado despótico, cuja soberania estava terceirizada a FIFA.

Em tempo: tendo nascido em 1993, tenho 20 anos. Ou seja, EM TESE, sempre militei em período democrático e republicano da História de meu país e de meu Estado.

Diante desse quadro indignante, quem nunca ouviu, bem recentemente: "ser corrupto pode, destruir o ponto de ônibus já é vandalismo", "nos bater pode, queimar ônibus já é vandalismo"? Ilustrativo de algo, para mim, inadmissível: a naturalização da violência enquanto instrumento legítimo da luta política. É o momento que eu inicio minha inflexão nesse texto.

Quero afirmar, mais uma vez, que acredito na expressão popular e na participação ativa da sociedade civil nos assuntos do país, inclusive para enfrentar políticos canalhas ou/e uma polícia despreparada.

Porém, não posso concordar com a aura de impermeabilidade à lei que alguns movimentos se investem quando vão as ruas.

Perceba que não trato aqui de causas - elas são muitas e posso legitimamente concordar ou discordar delas - mas sim de prática política.

Não posso deixar de me solidarizar, por exemplo, aos que desejam a democracia na Universidade de São Paulo; assim como não posso, caro leitor, deixar de divergir dos que destruíram a Reitoria da USP  (leia-se: o espaço é da USP, é de todos, não do Reitor).

Outra situação: acredito que a propriedade privada é um direito inviolável do homem, mas posso tranquilamente conviver com pensamentos que digam o contrário. No entanto, não me peçam para ter tolerância com indivíduos que pilham fazendas, destroem plantações e atravancam o desenvolvimento do Brasil.

Ambas as situações são ilustrativas e mostram exatamente o que venho falando: não importa se as intenções são bacanas, se os jovens são vibrantes e animados ou se a bandeira é vermelha ou verde e amarela, ninguém pode ficar impune de seus atos criminosos - e não ficando, não poderá ele alegar falta de democracia nisso, ora!



A linha entre democracia e vandalismo não é tênue como dizem. Democracia pressupõe respeito, ordem e legitimidade aos resultados políticos ditados pela maioria. Vandalismo é a mais pura expressão da antidemocracia: é feito por minorias de viés autoritário, à revelia da ordem republicana e desrespeitando as instituições garantidoras de um Estado democrático.

Movimento social que quebra equipamento público, desrespeita a propriedade privada e causa pânico (instado pela Polícia, muitas vezes) na população, não pode ser movimento social, e sim quadrilha.

Vamos recorrer a História. Me diga aí, quais minorias políticas, de viés totalitário, encharcadas de boas intenções e que julgavam o status quo político e a então ordem republicana elementos a serem destruídos (não vencidos ou superados ou modificados) atuaram no decorrer da Humanidade?

Vos respondo. O nazismo, o fascismo e o socialismo. Os três condenáveis, na minha escolha política, ideológica e de vida.

Para finalizar, parafraseio Friedman (sim, até aqui) quando ele afirma que não podemos julgar programas do governo pelas suas intenções, e sim pela sua prática e por seus resultados.

Pelo visto, a frase não se aplica apenas a programas do governo...

Publicado no Bahia Notícias, o site de maior audiência do Nordeste.



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