5 de agosto de 2015

Sobre as reformas da Orla de Salvador


Respeito todas as críticas ao Estado. Afinal, ela é muito mais producente a governos, pois incomoda, do que o elogio que acomoda.
No entanto, como morador de Patamares, banhista de Itapoã e amante declarado da Barra e do Rio Vermelho (2ª casa?), me sinto especialmente incomodado com as críticas à reforma da Orla.
Esta parte especial de Salvador, que concentra a geração das riquezas turísticas da cidade, passou por tantos mau bocados, que custo a acreditar que as obras - que já mudaram a cara da Barra - não são genuinamente benéficas a cidade.
Vivemos - há não muito tempo - uma era de cachorros eletrocutados, infestação de ratos, mansões financiadas com dinheiro público na praia e - por fim - a destruição total que deixou quilômetros e quilômetros da nossa Orla marítima entregue a escombros e rebocos.

Até assumo que possuo um certo grau de fascínio com a estrutura arquitetônica de Havana, em Cuba: ruínas, prédios alquebrados pelo tempo que permanecem oferecendo moradia e serviços, cores cansadas e esse jeitão de década de 70 que dá a impressão de estarmos em um museu a céu aberto - muito charmoso.




Mas não, não sou obrigado a querer isso para minha cidade.

No mais, é especialmente engraçado para meu coração maldoso assistir tantos fiéis filhos da elite baiana, resmungando pelos cantos por ter seus bairros "invadidos" por uma plebe rude que - não satisfeita aos Carnavais, lavagens e praias de domingo da vida - agora frequentam diuturnamente seus espaços.
E os argumentos são os melhores: "A Prefeitura não respeitou comerciantes e moradores" diz a filha da Graça, "e as lajotas portuguesas? Não respeitou nossa história!" pergunta o outro que votou em João Henrique contra César Borges.
Erros acontecem, é claro. Mas o discurso reiterado contra às obras mostram que a crítica não é pontual, muito menos desintencionada.
Ligações familiares, políticas e ideológicas terminam por elucidar a questão.
Ao final, encontro - em minha opinião - uma crítica absolutamente coerente contra a reforma de um ponto de vista estrutural: e as árvores?
A questão da arborização da cidade para mim é grave e os poucos programas da Prefeitura - que tenho conhecimento, pelo menos - não contemplam arborização dispersa, e sim concentrada nos parques públicos de Salvador. Acho péssimo uma cidade onde alguns locais são "verdes" e outros (a maioria) são "cinzas".

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