12 de maio de 2016

Um dia após o outro


Gente, dormi agarrado no terço rezando para que a FIESP não invadisse minha casa e me tornasse escravo na fazenda de Skaf.

Acordado, dei uma volta pela cidade, com uma peixeira na cintura, achando que Ramsay Bolton já havia sido escolhido Protetor de Salvador (se acabou a democracia, voltamos ao período dos biônicos) e que sua primeira medida tinha sido esfolar alguns nordestinos - sabemos, com cristalina certeza, que, com exceção do PT, todo o resto do mundo odeia nordestinos.


De Brasília, esperava uma união de Lord Voldemort, Cersei Lannister, Frank Underwood e Nazaré Tedesco, mas vi que a base governista de Temer é a mesma de Dilma, com exceção de 4 partidos de oposição. Se eles eram aliados do PT, eles eram limpinhos.

Sujinhos, sabemos, só o DEM e o PSDB que não se dobraram as nossas propostas, digamos, republicanas.

Enfim, dormi pensando acordar num cenário de Apolicapse Now somado a The Walking Dead, e vi que estamos governados por um partido cleptocrata com alguns notáveis no Ministério.

Nada muito diferente de ontem. Posso voltar a dormir?


Emoticon smile

1 de maio de 2016

POLÍTICA E JUSTIÇA NO MOVIMENTO ESTUDANTIL


Sempre me preocupou essa visão idílica do Movimento Estudantil que vê a Universidade pública como uma parte especial da sociedade: sem organização e sem regras e que não precisa prestar contas a quem, veja só, paga as contas.

Em minha opinião, essa visão é um dos grandes motivos da precarização das universidades públicas. Além de justificar diversas atrocidades à liberdade de pensamento.

No entanto, não tem como aceitar a decisão da juíza de Belo Horizonte que proíbe o Diretório Acadêmico do curso de Direito da UFMG de realizar uma assembléia estudantil para discutir o Impeachment da Presidente.

Em verdade, não acho que isso seja pauta para um Diretório Acadêmico, mas não é essa a discussão.

A decisão da juíza busca coibir, segundo a própria peça, o "uso político-partidário do Movimento Estudantil" e, mais, chega a ousadia de sugerir os parâmetros atuação de um Centro Acadêmico, que não deve "discutir política, mas a Educação".

Bem, meus caros, estou presidente do Centro Acadêmico Ruy Barbosa, o CARB da Faculdade de Direito da UFBA, e meu grupo foi eleito, justamente, contra o ideal de movimento estudantil "Liga da Justiça", que discute Transposição do Rio São Francisco, antes de discutir a falta de água dos bebedouros.

Mas não posso, na legitimidade dada pelas urnas, confundir o que foi uma escolha política dos estudantes da minha Faculdade com um ideal a ser JUDICIALMENTE perseguido, nem que para isso se passe por cima de outras escolhas políticas de outros conjuntos de estudantes.

Há de se diferenciar esta decisão daquelas que protegem o patrimônio das universidades federais à utilização político-partidária dos contrários ao Impeachment. As situações são diferentes.

Não aceito, enquanto liberal, é a judicialização da Política. Dispute o seu Centro Acadêmico, o seu DCE, os cargos eletivos e as mentes e corações das pessoas.

Não peça ao juiz, aquilo que colegas e eleitores não lhe deram - às vezes até porque você simplesmente sequer pediu. Neste caso, o recado é mais para a direita do que para a esquerda.