21 de dezembro de 2016

PERDEU, BROTHER!

Adoro essas desculpas daqueles que sempre se orientaram pelo petismo/lulismo, sobre o porquê de não participar das manifestações de rua.
Ao invés de assumirem suas orientações político-partidárias e a a defesa explícita e descarada de um Governo impopular (por isso não botam a cara no sol), disfarçam-se através das justificativas mais absurdas. A melhor delas para mim é: "o protesto é elitista. Só tem classe média."


Ora, quem participa da política em geral?

A resposta é dura, mas são os estratos médios e altos da população. Manifestações de 2013, qual era o perfil sócio-econômico? Maioria de seus participantes eram de classe média. Caras pintadas? Classe média e alta. Assim é nos espaços de representação estudantil, assim é nos sindicatos, assim é nas ruas.

A política lamentavelmente nunca foi um instrumento utilizado de forma equitativa por todos os segmentos da sociedade, por N motivos que transformariam esse textão em um textãozão.

O próprio Marx reconhece a existência de uma "vanguarda" que lidera o processo revolucionário e "esclarece" os trabalhadores. Isto é, de membros da elite e da classe média que, por gozarem de melhor acesso às teorias revolucionárias, conformariam a frente (Partido) da luta de classes.

No Brasil, o pensamento de esquerda sempre foi associado às Universidades e aos Sindicatos, espaços inicialmente organizados e conduzidos pela classes média e alta brasileiras. E o pensamento de direita? Associado ao senso comum e a religião, que por si só explicam o raciocínio que quero chegar.

O que me parece é que há um nítido incômodo ao perceber que a Nova Direita se organiza, debate e se qualifica. Quem vem participando das manifestações vem percebendo, por exemplo, um contínuo afastamento e repúdio em relação ao intervencionismo militar e ao PSDB - símbolos da velha Direita (sem alternativas e anti-democrática) - além de uma popularização e segmentação clara desses espaços com a participação de sindicatos, de entidades de classe e de luta pelos direitos das minorias.

O duro é perceber que a hegemonia está sendo destruída por meio de seus próprios instrumentos de dominação política e cultural.

A rua, para a esquerda, sempre foi o melhor espaço para fazer pressão política e "decidir as coisas". 

Hoje essa mesma esquerda se presta a passar a SEMANA INTEIRA na frente do computador tentando desmobilizar e amedrontar os protestantes.

Perdeu, velho. É hora de aceitar novos atores e protagonistas e perceber - literalmente - que a rua não é mais só sua.